Por muitos anos, carro voador foi quase sinônimo de ficção científica. Agora, essa ideia começou a sair da tela e ganhar espaço em aeroportos, feiras de tecnologia e programas de teste pelo mundo.
Dos Estados Unidos à China, diferentes empresas já estão testando, e em alguns casos até vendendo veículos elétricos de decolagem e pouso vertical, os eVTOLs, que prometem encurtar distâncias e mudar a forma como a gente se desloca.
Estados Unidos e a vez dos táxis aéreos
Nos Estados Unidos, o governo passou a tratar os táxis aéreos como parte do futuro da mobilidade. Em 2025, foi lançado um programa-piloto para acelerar a entrada dos eVTOLs no espaço aéreo americano, em parceria com empresas e governos locais. A ideia é começar com operações controladas em algumas regiões, sempre com foco em segurança e regulamentação bem definida.
Nesse cenário, empresas como Joby Aviation e Archer Aviation ganham destaque, desenvolvendo aeronaves elétricas para rotas curtas entre cidades, bairros e aeroportos. A promessa é simples: reduzir o tempo de deslocamento em áreas congestionadas, com menos ruído e emissões do que helicópteros tradicionais.
Um dos projetos que mais chama atenção é o Midnight, da Archer. Em testes recentes, o eVTOL atingiu cerca de 7.000 pés de altitude e voou acima de 120 mph, aproximando o modelo da fase de certificação e das primeiras operações comerciais. É o tipo de avanço que deixa os táxis aéreos cada vez menos no campo das ideias e mais perto do dia a dia.
Carros que trocam a rua pelo céu na China
Na China, a aposta passa também pelos veículos híbridos, que funcionam tanto no chão quanto no ar. Um exemplo é o XPENG AeroHT, apresentado na CES 2025, em Las Vegas. Ele mistura uma minivan elétrica de seis rodas com um módulo aéreo equipado com rotores, permitindo rodar em ruas e, quando necessário, decolar verticalmente.
Mais do que um conceito bonito de feira, o modelo foi apresentado com preço estimado em torno de US$ 280 mil, o que mostra que esse tipo de tecnologia começa a mirar um público real (mesmo que ainda bem restrito). A mensagem é clara: para alguns consumidores, ter um “carro voador” já está deixando de ser um sonho distante.
Veículos pessoais e o “carro voador” de uma pessoa só
Outra frente interessante é a dos veículos pessoais voadores. Em vez de grandes aeronaves para várias pessoas, a proposta aqui é um eVTOL compacto, pensado para uso individual.O Pivotal BlackFly é um exemplo desses que ganhou destaque em matérias internacionais. Ele é uma aeronave elétrica de decolagem e pouso vertical projetada para uma única pessoa, com controles simples (parecidos com os de um videogame) e foco em voos curtos. O alcance e a velocidade ainda são limitados, mas a ideia é mostrar que esse tipo de veículo pode ser usado de forma recreativa ou para pequenos deslocamentos em áreas específicas.

Esse tipo de projeto ajuda a reforçar uma tendência: antes de vermos carros voadores em massa, provavelmente vamos enxergar primeiro usos bem controlados, em locais e situações específicas, até que a tecnologia, a legislação e a infraestrutura estejam mais estruturadas.
O que esses projetos mostram sobre o futuro da mobilidade
Olhando para todos esses exemplos de táxis aéreos nos EUA, veículos híbridos na China e modelos pessoais como o BlackFly, dá para perceber que o mundo já saiu da fase de rascunho.
Os carros voadores ainda não estão prontos para substituir o transporte tradicional, mas já aparecem em:
- Programas-piloto de governo
- Testes de certificação
- Apresentações em grandes eventos de tecnologia
- E, em alguns casos, até com preço divulgado para venda
Ainda existem muitas perguntas sem resposta: como será a regulação? Onde essas aeronaves vão decolar e pousar? Como garantir segurança em ambientes urbanos? Mas uma coisa é certa: cada novo teste aproxima a ideia de carro voador da nossa rotina.
E o Brasil nessa história?
Enquanto Estados Unidos, China e outros países avançam com seus projetos, o Brasil também entrou nessa corrida com o carro voador desenvolvido pela Embraer, por meio da Eve Air Mobility.
O protótipo em escala real realizou seu primeiro voo de teste no interior de São Paulo, no fim de 2025, e faz parte de um plano que mira o início das operações comerciais ainda nesta década. É o nosso representante nessa nova fase da mobilidade aérea urbana.
Se você quiser entender melhor como foi esse primeiro voo, o que é o eVTOL brasileiro e qual é a previsão para ele começar a transportar passageiros, vale conferir este conteúdo: Imprensa internacional repercute 1º voo do carro voador da Embraer no interior de São Paulo.
O que antes parecia cena de desenho futurista agora é pauta de engenharia, investimento e planejamento de transporte. E o mais interessante é que o Brasil não está só assistindo a tudo isso de longe, está ajudando a construir esse futuro.