Imprensa internacional repercute 1º voo do carro voador da Embraer no interior de São Paulo

Se você cresceu assistindo a desenhos futuristas, provavelmente já viu uma cena clássica: famílias cruzando o céu em carros voadores, como se isso fosse a coisa mais normal do mundo – bem no estilo deOs Jetsons. Por muitos anos, essa imagem ficou guardada no campo da imaginação, como algo distante da nossa realidade.

No fim de 2025, porém, esse cenário começou a mudar. Um protótipo de “carro voador” desenvolvido pela Eve Air Mobility, empresa subsidiária da Embraer, realizou seu primeiro voo de teste no interior de São Paulo e colocou o Brasil no mapa da mobilidade aérea urbana, em um dos segmentos mais observados do mundo: o dos veículos elétricos de decolagem e pouso vertical, os eVTOLs.

Mais do que um momento simbólico, o teste marcou um passo concreto rumo a uma nova forma de se deslocar nas grandes cidades.

Quando e como aconteceu o primeiro voo?

O primeiro voo do protótipo em escala real da Eve aconteceu em 19 de dezembro de 2025, em uma área de testes controlada da Embraer em Gavião Peixoto, no interior de São Paulo.

O ensaio foi técnico e não tripulado, sem presença de público, justamente para garantir total foco na parte operacional. A aeronave realizou o chamado hover flight: decolou na vertical, permaneceu pairando sobre um ponto fixo no ar, mantendo altitude e posição constantes, e depois pousou novamente.

Esse tipo de teste é essencial para validar:

  • o sistema de controle de voo por computador (fly-by-wire de quinta geração);
  • o sistema de propulsão elétrica;
  • os rotores dedicados exclusivamente ao voo vertical.

Embora tenha ficado conhecido popularmente como “carro voador”, o eVTOL se aproxima mais de uma aeronave elétrica urbana, projetada para trajetos curtos e regionais, conectando aeroportos, centros financeiros e áreas metropolitanas sem a necessidade de pistas tradicionais.

Quem está por trás desse projeto?

O projeto é liderado pela Eve Air Mobility, empresa criada pela Embraer com foco em mobilidade aérea urbana. A Eve reúne:

  • a experiência aeronáutica da Embraer,
  • tecnologias de eletrificação e automação,
  • e uma visão voltada para segurança, sustentabilidade e operação em larga escala.

Além disso, a produção em série do eVTOL está prevista para acontecer em Taubaté (SP), em uma planta industrial com capacidade inicial de fabricar até 480 unidades por ano.

A Eve já acumula aproximadamente 3 mil encomendas entre pedidos e intenções de compra, o que mostra o interesse global por esse tipo de aeronave. Projeções internas da empresa apontam para uma frota mundial de eVTOLs que pode chegar a dezenas de milhares de unidades nas próximas décadas, transportando bilhões de passageiros e movimentando um mercado de grande porte em vendas e operação.

Em que fase o projeto está e o que vem agora?

O voo de dezembro de 2025 marcou o início oficial da campanha de ensaios em voo do eVTOL da Eve. A partir desse marco, a empresa planeja: 

  • realizar centenas de voos ao longo de 2026;
  • ampliar gradualmente o “envelope de voo” (os limites operacionais da aeronave);
  • evoluir do hover para voos totalmente sustentados pelas asas.

Todo esse processo é conduzido em parceria com a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e em interação com autoridades internacionais, como a FAA (Estados Unidos) e a EASA (Europa), com foco em segurança, confiabilidade e desempenho operacional.A Embraer e a Eve devem construir seis protótipos certificáveis para testes em voo. A meta é obter a certificação e iniciar as primeiras entregas comerciais em 2027, mesmo ano em que as operações regulares devem começar, se o cronograma for cumprido

Outros “carros voadores” pelo mundo

O eVTOL brasileiro não está sozinho nessa corrida. Em diferentes países, empresas de aviação e tecnologia também desenvolvem aeronaves elétricas ou híbridas voltadas para a mobilidade aérea urbana.

Um exemplo disso é o Govy AirCab, carro voador apresentado pela chinesa GAC durante o Salão do Automóvel de São Paulo. No país de origem, o modelo deve custar o equivalente a cerca de R$ 1,3 milhão e já está em pré-venda no mercado chinês.

Além disso, há projetos em andamento nos Estados Unidos, Europa e Ásia, mostrando que a ideia de “carro voador” deixou de ser uma curiosidade isolada para se tornar um movimento global.

Nesse cenário, o projeto da Embraer/Eve se destaca por:

  • contar com a reputação de uma das maiores fabricantes de aeronaves do mundo;
  • ter produção planejada em território brasileiro;
  • e avançar em diálogo direto com autoridades regulatórias nacionais e internacionais.

O que esse voo representa para o futuro da mobilidade?

O primeiro voo do carro voador da Embraer representa mais do que um marco tecnológico: é um sinal de que a mobilidade está entrando em uma nova era, em que inovação, eficiência e segurança caminham juntas. Ainda há desafios regulatórios, operacionais e de infraestrutura pela frente, mas o avanço é inegável.

Para quem acompanha o setor automotivo e de transporte, fica claro que o futuro da mobilidade, seja sobre rodas ou asas, exige planejamento, tecnologia e cuidado com as pessoas. E, independentemente do meio, uma coisa não muda: proteger quem está em movimento continuará sendo prioridade em qualquer cenário.

Quem sabe, em um futuro não tão distante, você não olhe para o céu e veja um “carro voador” com proteção da Álamo? Aquilo que um dia parecia só imaginação pode estar muito mais perto de virar realidade do que a gente imaginava.

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